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Costa da Caparica

O nome traz imediatamente uma única coisa à lembrança: as praias. Esse areal imenso que começa na vila e só acaba na Fonte da Telha, com a falésia como cabeceira e as dunas como travesseiro.
Mas é mais do que isso, muito mais. É toda uma história, todo um orgulho de se ser desta terra, toda uma tradição.
Desde o bairro dos pescadores, com as suas casinhas iguais, com arcos na entrada, passando pela rua 15, que nos Santos Populares se enche de cor e festa, até ao centro da vila, que com a sua rua dos pescadores, oferece bens, comida e dormida.
Há esplanadas, bares, discotecas e um pontão onde se pode passear a ver o mar, de mãos dadas, sozinho, no Inverno ou no Verão. Há toda a Arriba Fóssil, onde se pode assistir aos mais belos pôr-do-sol, guardados pelos pinheiros recortados no céu. Há as vendedoras de marisco, numa confusão de gritos, santolas, sapateiras, e percebes.
Frutarias coloridas, cheiro a peixe, bolos e gelados.


A Costa tem toda uma cultura muito própria, feita de pescadores, de lutas contra o mar, que de ano para ano, teima em roubar um pouco mais de terra, de fado, sol, esplanadas e bairrismo. É feita também pelas pessoas que por aqui passam todos os anos, e que deixam um pouco delas para trás: risos, pegadas na areia, uma toalha esquecida, uma promessa de regresso.
No Inverno é intimista, melancólica e romântica. O mar torna-se revolto e brinda quem passa com salpicos salgados, que guardam em si todas as saudades do mundo.
Com o vento a bater na cara e os olhos pousados no Bugio, solitariamente plantado no mar, respiramos fundo e sorrimos. Estamos em casa.

Diana Garrido

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A nobreza de Almada

Almada foi, em tempos, um lugar aprazível para a nobreza. Quando o ambiente na capital do reino por razões políticas se tornava pesado, os nobres vinham para as propriedades que possuíam nas terras da Outra Banda, então denominada Lisboa Oriental, conforme se pode constatar em documentos datados de 1760.
Aqui descansavam e deliciavam-se com a calma e frescura dos pinhais da Trafaria e Sesimbra. No caso de Dom Pedro V, o seu refúgio preferido era o Porto Brandão, onde possuía casa real. Era ai que repousava das deslocações que fazia à Lagoa de Albufeira, em Sesimbra, para caçar coelhos e patos, que na época abundavam nas suas matas e falésias.

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Almada e as terras do seu termo eram um autêntico paraíso para a nobreza. De entre as muitas famílias nobres, podem-se citar os Marqueses de Fronteira, que possuíam o seu palácio no local onde hoje é a Rua Capitão Leitão bem como algumas quintas em Almada e na Charneca da Caparica.
No sítio de Mutela, existiu a Quinta do Armeiro-Mor, onde o seu solar era propriedade dos Senhores do Morgado de Mutela, sendo os seus últimos proprietários os descendentes do 1ºConde de Vilafranca, filho mais novo do 1ºConde de Mesquitela.

Outra família de grande prestígio, foi a dos Abranches, proprietários da Quinta da Ramalha e da Quinta de Possolos, na Caparica.
Muito embora Almada fosse no passado lugar de vivência da nobreza como: os Marqueses de Valença, com casa e propriedades na Fonte Santa, os Condes de São Lourenço, donos da Quinta do Olho de Boi e os Condes da Cunha, proprietários da Quinta da Palença era, contudo, nas terras do seu termo, que predominavam as famílias mais abastadas, os Távoras, na Caparica e os Zagallos , na Sobreda.
OS Távora, Senhores do Morgado da Caparica, eram possuidores para além de muitas terras, das quintas da Romeira, do Joinal da Estrela e do Madorno. Elevados a Condes da Caparica, sendo o seu 1ºConde D. Francisco de Meneses da Silveira Castro, 12º Senhor do Morgado e 1ºMarquês de Valada. o seu brasão de arenas, pode ser visto na fachada da igreja do Convento dos Capuchos, fundado no ano de 1558 por, Lourenço Pires de Távora 4ºSenhor do Solar e Morgado da Caparica.

 

Os Zagallos, senhores do Morgado da Sobreda, são oriundos de Reguengos de Monsaraz. Esta família nobre chega à Caparica no reinado de D. João II e em 1745 o desembargador Rodrigo de Oliveira Zagallo instituiu um morgado na Sobreda.O Solar dos Zagallos, também conhecido por Quinta dos Pianos, que foi inicialmente uma casa agrícola, é uma casa apalaçada de primeiro andar com pátio de entrada e com uma vistosa escadaria de acesso aos dois salões nobres. O edifício e anexos sofreram diversas intervenções nos séculos XVIII, XIX e XX e conserva das diversas épocas azulejos, estuques e pinturas. O Solar possui três capelas, duas das quais nos jardins. A que se encontra integrada no corpo do edifício, a de Stº. António, tem ricas talhas e é forrada a azulejos representando cenas religiosas e profanas. O Jardim do Solar dos Zagallos possui áreas profundamente interiorizadas, directamente ligadas ao edifício e cuja característica principal assenta no seu traçado clássico.Este jardim conta igualmente com um espaço de maiores dimensões, baseado também numa estrutura clássica suportada por eixos preferenciais, agregando em simultâneo pequenas zonas em que o tratamento está mais próximo do naturalizado.

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Na alameda principal encontra-se uma capela devotada ao Senhor dos Passos, onde está sepultado Francisco de Paula Carneiro Zagallo e Mello ( 1772 - 1837 ). Esta capela está decorada com ricos painéis de azulejos ilustrando a parábola do filho pródigo.
À entrada do Solar, no lado direito do jardim, está um painel figurativo a azul cobalto, datado do primeiro quartel do século XVIII, representando no plano inferior a fuga da Sagrada Família para o Egipto. No plano superior encontra-se um registo da apresentação do Menino aos doutores do templo.O Solar dos Zagallos é, hoje em dia, propriedade da Câmara Municipal de Almada, tendo sido objecto de uma profunda intervenção, visando a sua recuperação e preservação, donde resultou uma interessante peça do equipamento cultural do Município.
Raro o mês em que a agenda não anuncia neste interessante espaço cultural a realização de exposições ou de eventos musicais, para o qual se encontra especialmente vocacionado.

 
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